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Afinações e verificações

Esta página junta os valores de afinação e verificação do 21214 e explica como se fazem as afinações que um proprietário com ferramenta consegue fazer em casa. Os valores vêm do Anexo 3 do manual AvtoVAZ de 1999 e das secções correspondentes do mesmo manual. A tabela do anexo é comum a toda a família. Indica-se em cada linha o que não se aplica ao 21214 monoponto.

Verificação Valor Nota para o 21214
Folga das válvulas, motor frio (18–20 °C), admissão 0,15 mm Ver procedimento
Folga das válvulas, motor frio (18–20 °C), escape 0,20 mm
Temperatura máxima do líquido de refrigeração (ar a 20–30 °C, plena carga, 80 km/h) 95 °C
Ralenti mínimo 750–800 rpm No 21214 o ralenti é comandado pelo ECM e não se afina à mão (ver injeção)
Pressão do óleo, óleo a 85 °C e 5400 rpm 0,35–0,45 MPa (3,5–4,5 kgf/cm²)
Nível do líquido de refrigeração, motor frio 3–4 cm acima da marca MIN
Flexão da correia do alternador sob 98 N (10 kgf) 10–15 mm Ver correia
Folga dos elétrodos das velas, motor a carburador 0,7–0,8 mm Não se aplica
Folga dos elétrodos das velas, motor de injeção 1,00–1,13 mm Valor do 21214
Avanço inicial, gasolina 91 RON 1° ± 1° antes do PMS Não se aplica: o avanço é calculado pelo ECM
Avanço inicial, gasolina 93/95 RON 3° ± 1° antes do PMS Não se aplica
Curso livre do pedal da embraiagem 25–35 mm
Curso livre do pedal do travão, motor parado 3–5 mm
Folga do volante, rodas a direito ≤ 5° (18–20 mm no aro)
Convergência das rodas dianteiras, carro com 3140 N (320 kgf) 2–4 mm Ver geometria
Sopé (camber), carro com 3140 N (320 kgf) 0°30’ ± 20’ (1–5 mm)
Avanço da manga (caster), carro com 3140 N (320 kgf) 3°30’ ± 30’
Pressão dos pneus, frente 0,21 MPa (2,1 kgf/cm²)
Pressão dos pneus, trás 0,19 MPa (1,9 kgf/cm²)
Folga axial dos rolamentos dos cubos dianteiros 0,02–0,07 mm Ver cubos
Idem, limite em serviço 0,02–0,15 mm
Espessura mínima do material de atrito, pastilhas e maxilares 1,5 mm
Nível nos reservatórios dos travões e da embraiagem Até ao bordo inferior do gargalo
Inclinação máxima em que o travão de mão segura o carro carregado 25 %
Curso da alavanca do travão de mão, ao afinar 4–5 dentes (2–4)*
Curso da alavanca do travão de mão, em serviço 4–7 dentes (2–8)*

* Valores entre parênteses: carros com o primeiro dente do setor duplo. O desenho do setor mudou no fim de 1995.

O 21214 monoponto mantém o comando de válvulas do 21213: balanceiros apoiados num parafuso de regulação com contraporca. A folga mede-se entre a came e o balanceiro.

Valores: admissão 0,15 ± 0,02 mm, escape 0,20 ± 0,02 mm, com o motor frio e a corrente bem tensa.

  1. Retire a tampa das válvulas. Vai precisar de junta nova na montagem.
  2. Rode a cambota no sentido dos ponteiros do relógio até alinhar a marca do carreto da árvore de cames com a marca da caixa dos apoios. O cilindro n.º 4 fica no fim da compressão.
  3. Nesta posição, afine a came 8 (escape do cilindro 4) e a came 6 (admissão do cilindro 3).
  4. Para cada válvula: desaperte a contraporca e meta um apalpa-folgas plano entre a came e o balanceiro (0,15 mm na admissão, 0,20 mm no escape). Rode o parafuso de regulação até o apalpa-folgas deslizar com ligeira resistência. Segure o parafuso com uma chave e aperte a contraporca (43,3–53,5 N·m). Volte a medir: o aperto da contraporca altera muitas vezes a folga.
  5. Rode a cambota meia volta (180°) de cada vez e afine as restantes válvulas pela tabela seguinte.
Rotação da cambota Cilindro no fim da compressão Cames a afinar
0° 4 8 e 6
180° 2 4 e 7
360° 1 1 e 3
540° 3 5 e 2

Durante a medição não force o balanceiro: a folga lida fica maior do que a real. Monte a tampa com junta nova.

O tensor do motor 21213/21214 é semiautomático: uma mola empurra o patim contra a corrente, e uma porca (porca cega) bloqueia a haste do tensor na posição encontrada.

  1. Desaperte a porca cega do tensor (ver fig. 2-55 e 2-56 do manual, p. 33). A haste fica livre e a mola encosta o patim à corrente.
  2. Rode a cambota 1 a 1,5 voltas no sentido normal de rotação, sem pressa. A mola acerta sozinha a tensão.
  3. Volte a apertar a porca cega. A haste fica presa e o êmbolo trabalha só com a sua mola, com uma almofada de óleo que amortece as pancadas da corrente.

Faça-o no intervalo do plano de manutenção ou quando a distribuição começar a fazer ruído.

Com força de 98 N (10 kgf) (o peso aproximado de 10 kg, aplicado com o polegar ou com um dinamómetro), a flexão da correia deve ser:

Troço Flexão
Entre a polia do alternador e a da bomba de água 10–15 mm
Entre a polia da bomba de água e a da cambota 12–17 mm
Verificação da tensão da correia do alternadorTrês polias: bomba de água em cima, alternador em baixo à esquerda e cambota em baixo à direita. No troço A, entre alternador e bomba, a flexão deve ser 10 a 15 mm; no troço B, entre bomba e cambota, 12 a 17 mm, com 98 N.A10–15 mmB12–17 mmBomba de águaAlternadorCambotaForça de 98 N (≈10 kg) a meio do troço
Flexão da correia com 98 N: troço A 10–15 mm, troço B 12–17 mm (fig. 2-61 do manual).

Para afinar:

  1. Desaperte as porcas de fixação do alternador (a da articulação e a do braço de regulação).
  2. Afaste o alternador do motor para esticar a correia, ou aproxime-o para a aliviar.
  3. Aperte as porcas, dê duas voltas à cambota no sentido dos ponteiros do relógio e volte a medir.

Não estique demais: sobrecarrega os rolamentos do alternador e da bomba de água.

A afinação faz-se em três pontos, por esta ordem:

  1. Folga entre a haste e o êmbolo do cilindro principal: 0,1–0,5 mm. Afina-se no parafuso batente do pedal e corresponde a um curso livre do pedal de 0,4–2 mm. Sem esta folga, a embraiagem pode não ficar totalmente engatada.
  2. Curso livre da haste do cilindro recetor (na forquilha): 4–5 mm. Afina-se no parafuso da haste e trava-se com a contraporca.
  3. Curso livre total do pedal: 25–35 mm. Se estiver fora, reveja os dois pontos anteriores. Um pedal esponjoso ou uma embraiagem que arrasta indicam ar no circuito: purgue pelo cilindro recetor, como nos travões.
  • Curso livre com o motor parado: 3–5 mm. Afina-se deslocando o interruptor das luzes de travagem: desaperte uma porca, rode a outra até o batente do interruptor tocar ligeiramente no pedal, e reaperte.
  • Faça sempre esta verificação com o motor parado. Com o motor a trabalhar, o servofreio falseia a medida.
  • Se o pedal continuar a não soltar bem os travões, verifique a saliência do parafuso de regulação da haste do servofreio em relação à face da flange do cilindro principal.

Afine só depois de os travões traseiros estarem em ordem. O carro carregado tem de ficar imobilizado numa inclinação de 25 % com a alavanca subida 4–7 dentes (2–8 com setor de dente duplo).

  1. Carro em fosso ou elevador, travão de mão solto.
  2. Só no setor de desenho antigo: baixe a alavanca até ao fim e levante-a 1–2 dentes.
  3. Desaperte a contraporca do esticador do cabo e rode a porca de regulação para esticar o cabo.
  4. Confirme o curso total da alavanca: 4–5 dentes (2–4 com setor de dente duplo). Aperte a contraporca.
  5. Carregue várias vezes no pedal do travão, confirme que o curso da alavanca não mudou e que, com a alavanca em baixo, as rodas giram sem prender.

Se os cabos forem novos, puxe e solte a alavanca 2 ou 3 vezes com força (cerca de 392 N / 40 kgf) para os esticar antes de afinar.

  • Folga do volante: no máximo 5°, ou 18–20 mm medidos no aro, com as rodas a direito.
  • Esforço para rodar o volante com as rodas dianteiras numa superfície metálica lisa: não superior a 196 N (20 kgf). O manual acrescenta «245* N (25* kgf)» sem explicar o asterisco. Deve ser o limite de outra versão ou condição.
  • Ao verificar, confirme também que não há ruídos nem folgas nas rótulas, que a caixa de direção e o suporte do braço intermédio estão bem apertados e que o sem-fim não tem folga axial.

Se a folga for excessiva com rótulas e rolamentos dos cubos em ordem, afina-se na caixa de direção (calços sob a tampa para a folga axial do sem-fim; parafuso de regulação com contraporca para a folga entre rolete e sem-fim, com o braço Pitman centrado). O manual de manutenção do 1600 descreve este procedimento, e a caixa de direção é do mesmo tipo.

O fabricante manda medir e afinar em banco ótico, com o carro carregado com 3140 N (320 kgf): quatro pessoas e 40 kg na bagageira. Antes de medir, empurre 2 ou 3 vezes para baixo o para-choques traseiro e depois o dianteiro (392–490 N / 40–50 kgf) para assentar a suspensão.

Ângulo Carro com 320 kgf Carro em ordem de marcha, sem carga
Sopé (camber) 0°30’ ± 20’ 0°20’ ± 20’
Avanço (caster) 3°30’ ± 30’ 1°30’ ± 30’
Convergência 2–4 mm 4,5–6,5 mm

Até à primeira revisão (2000–3000 km), enquanto as borrachas assentam, o manual aceita tolerâncias mais largas: sopé +40’/−30’, avanço +60’/−90’ e convergência 1–7 mm (com carga) ou 3,5–9,5 mm (sem carga).

Antes de afinar, confirme: pressão dos pneus, folga dos rolamentos dos cubos, amortecedores, empeno das rodas, folgas nas rótulas e folga do volante.

Ordem de afinação: 1. avanço → 2. sopé → 3. convergência.

  • Avanço e sopé afinam-se com as anilhas de 0,75 mm entre o eixo do braço superior e a travessa. Passar anilhas do parafuso traseiro para o dianteiro aumenta o avanço. Tirar ou pôr o mesmo número nos dois parafusos reduz ou aumenta o sopé (cada anilha nos dois parafusos ≈ 8’42’’ de sopé, sem alterar o avanço). A tabela 4-2 do manual (p. 104) dá o efeito de cada combinação.
  • Convergência: desaperte as abraçadeiras das barras laterais e rode as duas mangas de regulação o mesmo número de voltas, em sentidos opostos. No fim, aperte as abraçadeiras com a ranhura virada para trás (pode descer até 60° abaixo da horizontal) e sem que as arestas se toquem. Vire as rodas aos batentes para confirmar que nada roça.
  1. Carro levantado e apoiado em cavalete, roda e pinça retiradas. Prenda a pinça para não ficar pendurada pelo tubo flexível.
  2. Monte um comparador na manga de eixo com a ponta encostada ao cubo, perto da porca. Empurre e puxe o cubo ao longo do eixo enquanto o roda.
  3. Se a folga passar de 0,15 mm, regule pela sequência descrita em Binários de aperto (porca nova, 19,6 N·m, alívio, 6,86 N·m, recuo de 20–25°, cravar).
  • O Anexo 3 dá 1,5 mm de espessura mínima do material de atrito, tanto nas pastilhas da frente como nos maxilares de trás.
  • O manual de manutenção do 1600 manda trocar os maxilares traseiros aos 2 mm. Substitua sempre aos pares (os dois lados do mesmo eixo).
Eixo Pressão
Frente 0,21 MPa (2,1 bar; 2,1 kgf/cm²)
Trás 0,19 MPa (1,9 bar; 1,9 kgf/cm²)

Meça com os pneus frios, incluindo o sobresselente. O manual do proprietário brasileiro do 1600 dá pressões mais baixas (1,8 e 1,7 kgf/cm²). Para o 21214 valem as do manual AvtoVAZ.

Estas verificações são próprias do 21214. Os valores vêm do capítulo 9 do manual de 1999.

Verificação Valor
Pressão de combustível, ignição ligada (bomba a trabalhar) 190–210 kPa (1,9–2,1 bar)
Saliência da válvula de controlo do ar de ralenti, da flange à ponta, antes de montar inferior a 23 mm (ver nota)
Diâmetro da ponta cónica da válvula de ar de ralenti 10 mm
  • Pressão de combustível: depois de aliviar a pressão, ligue um manómetro em T entre o tubo de alimentação e a união de entrada da unidade de injeção. Com a ignição ligada, a bomba trabalha cerca de 2 segundos e para, porque o ECM não recebe sinal de rotação. Para a voltar a pôr a trabalhar, desligue a ignição 10 segundos e ligue de novo. Depois de a bomba parar, a pressão pode descer um pouco e estabilizar (ou subir, com o motor quente). Abaixo de 190 kPa, suspeite do regulador ou de restrição na alimentação (o manual manda verificar e, se preciso, substituir o filtro de rede). Acima de 210 kPa, suspeite do regulador ou de restrição no retorno.
  • Válvula de ar de ralenti (IAC): uma válvula nova com saliência acima de 23 mm pode ser empurrada à mão. Uma usada não: recolha-a com o equipamento de diagnóstico. Depois de a montar, ligue o equipamento de diagnóstico e mande o ECM repor os parâmetros da válvula.
  • Sensor de posição da borboleta (TPS): com a borboleta totalmente fechada, monte o sensor rodando-o no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio até as faces do veio encaixarem na alavanca do sensor. Depois aperte os parafusos.
  • Ralenti e avanço são comandados pelo ECM e não têm parafuso de afinação para o utilizador. O batente da borboleta vem regulado de fábrica. O ajuste de octanagem faz-se no potenciómetro próprio, com o TECH 1 (ver Fluidos e capacidades).
  • Manual de Reparação — Veículos VAZ-21213, VAZ-21214, VAZ-21214-20, VAZ-21215 (AvtoVAZ, projeto de out. 1999, tradução PT):
    • Anexo 3, p. 218 impressa (PDF p. 220).
    • Folga das válvulas e tabela 2-2, pp. 27–28 (PDF pp. 27–28).
    • Tensão da corrente, pp. 32–33 (PDF pp. 32–33).
    • Correia do alternador, p. 37 (PDF p. 37).
    • Comando da embraiagem, p. 58 (PDF p. 58).
    • Geometria, tabelas 4-1 e 4-2, pp. 103–105 (PDF pp. 103–105).
    • Direção, pp. 116–117 (PDF pp. 116–117).
    • Pedal do travão e travão de mão, p. 123 (PDF p. 123).
    • Capítulo 9, «Veículo VAZ-21214», pp. 185–188 impressas (PDF pp. 187–190).
    • Motor 21214-10, p. 192 impressa (PDF p. 194).
  • Manual de Manutenção Lada Niva 1600 (VAZ 2121/21212, tradução PT): folgas das válvulas, p. 4 (PDF p. 5); direção, p. 14 (PDF p. 15); cubos, p. 15 (PDF p. 16); alinhamento caseiro, pp. 18–19 (PDF pp. 19–20); travões traseiros, p. 22 (PDF p. 23).
  • Manual do Proprietário Niva 1600 (tradução brasileira), secção 6 «Regulagens básicas», PDF p. 8.

Projeto sem fins lucrativos, feito por proprietários de Niva. Desenvolvido por SmartWave.