Ler e apagar códigos
O ECM (módulo de controlo eletrónico) da injeção monoponto vigia continuamente os seus sensores e alguns circuitos de saída. Quando deteta uma anomalia, memoriza um código de dois algarismos (de 12 a 55) e acende a luz CHECK ENGINE no painel. Para ler esses códigos não precisa do aparelho TECH 1 original: basta um fio de ponte na ficha de diagnóstico e contar os piscas da luz.
Esta página explica o que a luz está a dizer, como ler e apagar os códigos e o que acontece à memória do ECM quando se desliga a bateria. O significado de cada código está em Códigos de avaria.
A luz CHECK ENGINE
Seção intitulada “A luz CHECK ENGINE”| Situação | O que significa |
|---|---|
| Acende ao ligar a ignição (motor parado) | Normal. É o teste da lâmpada e do circuito. |
| Apaga-se logo que o motor pega | Normal. Sem avaria ativa. |
| Fica acesa fixa com o motor a trabalhar | O ECM detetou uma avaria presente e memorizou o código. |
| Acende durante pelo menos 10 s e volta a apagar | Avaria intermitente: a causa desapareceu, mas o código fica memorizado. |
| Não acende de todo com a ignição ON | Lâmpada, alimentação ou ECM: ver Quadro A-1. |
| Fica acesa e não pisca o código 12 | Circuito de diagnóstico: ver Quadro A-2. |
A luz acesa não obriga a parar o motor. Indica que o carro deve ser verificado logo que seja razoavelmente possível. Em algumas avarias o ECM passa a funcionar com valores de recurso (por exemplo, usa um valor fixo de pressão do coletor se o sensor MAP falhar, ou deixa o módulo de ignição controlar o avanço), mas o funcionamento, o consumo e as emissões pioram.
Um código memorizado por uma avaria intermitente fica guardado até se cortar a alimentação do ECM ou até ser apagado com o TECH 1. Por isso, ao ler os códigos, é normal encontrar códigos “inesperados”: são pistas valiosas de falhas que já não estão presentes.
A ficha de diagnóstico (ALDL)
Seção intitulada “A ficha de diagnóstico (ALDL)”A ficha ALDL (Assembly Line Data Link) é a ficha de 12 terminais usada na fábrica para os testes de fim de linha. Está acima do ECM, atrás do revestimento lateral inferior dianteiro esquerdo (lado do condutor). Ver figura 2.2-1 do manual (p. 2-4, pág. 53 do PDF) e a vista frontal na p. 2-30 (pág. 79 do PDF).
Olhando para a face da ficha, os terminais com interesse são:
| Terminal | Posição na ficha | Função | Ligação no ECM |
|---|---|---|---|
| A | Fila de cima, o último à direita | Massa (ligada à massa do motor) | — (fio 51 castanho) |
| B | Fila de cima, imediatamente à esquerda de A | Terminal de teste de diagnóstico | A9 (fio 57 preto/branco); tem cerca de 5 V em aberto |
| G | Fila de baixo, extremo esquerdo | Terminal de teste da bomba de combustível | Liga ao circuito da bomba (fio 10 verde) |
| M | Fila de baixo, extremo direito | Dados em série para o TECH 1 | A8 (fio 62 amarelo) |
Ler os códigos pelos piscas (sem TECH 1)
Seção intitulada “Ler os códigos pelos piscas (sem TECH 1)”Precisa apenas de um fio curto com duas pontas finas ou um clipe metálico.
- Com a ignição OFF, ligue em ponte os terminais A e B da ficha ALDL.
- Coloque a ignição em ON, sem pôr o motor a trabalhar.
- Observe a luz CHECK ENGINE. Primeiro aparece o código 12: um pisca, pausa curta, dois piscas, pausa longa. Repete-se três vezes.
- A seguir aparecem os códigos memorizados, por ordem crescente, cada um três vezes. No fim, a sequência recomeça no código 12.
- Se só aparecer o código 12, repetido indefinidamente, não há códigos memorizados.
- Anote todos os códigos, desligue a ignição e retire a ponte.
Como contar: cada código é formado por um grupo de piscas para as dezenas, uma pausa curta (cerca de 1,2 s) e outro grupo para as unidades. Entre códigos há uma pausa longa (cerca de 3,2 s). Por exemplo, o código 34 aparece como três piscas, pausa curta, quatro piscas, pausa longa. Nenhum código deste sistema tem o algarismo 0, por isso não há grupos “vazios”.
O código 12 não é uma avaria: indica que o ECM não está a receber impulsos de referência da cambota, o que é normal com o motor parado, e serve para confirmar que o autodiagnóstico funciona. Se não aparecer, o problema está no próprio circuito de diagnóstico: siga o Quadro A-2.
Se houver vários códigos, comece sempre a reparação pelo de número mais baixo: muitas avarias de alimentação ou de massa comum acabam por gerar códigos secundários mais altos.
Os dois modos de diagnóstico
Seção intitulada “Os dois modos de diagnóstico”Ligar à massa o terminal B (com a ponte A–B, ou com o TECH 1 em F1: FIELD SERVICE) põe o ECM num de dois modos, conforme o motor esteja parado ou a trabalhar.
Modo de apresentação do diagnóstico (motor parado)
Seção intitulada “Modo de apresentação do diagnóstico (motor parado)”Ignição ON, motor parado, terminal B à massa. Neste modo o ECM:
- pisca o código 12 e depois os códigos memorizados, como descrito acima;
- energiza o relé do aquecedor do coletor, o relé da embraiagem do compressor do A/C e o solenoide de purga do canister, para que se possam testar sem conduzir o carro nas condições em que normalmente atuam;
- estende totalmente a válvula de controlo do ar de ralenti até zero passos, fechando a passagem de ar de ralenti no corpo de injeção;
- não memoriza códigos novos.
Modo de assistência em campo (motor a trabalhar)
Seção intitulada “Modo de assistência em campo (motor a trabalhar)”Se ligar a ponte A–B (ou selecionar FIELD SERVICE no TECH 1) e puser o motor a trabalhar, o ECM deixa de mostrar códigos e a luz passa a indicar o estado do controlo da mistura:
| Ritmo da luz | Significado |
|---|---|
| Acende e apaga 2,5 vezes por segundo (5 vezes em 2 s) | Malha aberta: o ECM ainda não usa a sonda de oxigénio |
| Acende e apaga 1 vez por segundo | Malha fechada, mistura corretamente regulada |
| Quase sempre apagada | Malha fechada, a sonda indica mistura pobre |
| Quase sempre acesa | Malha fechada, a sonda indica mistura rica |
Neste modo o avanço da ignição fica fixo em 10° antes do PMS abaixo de 2000 rpm, a válvula do ar de ralenti vai para uma posição fixa e não são memorizados códigos novos. Serve para confirmar, sem aparelho, que a sonda de oxigénio e a malha fechada funcionam (por exemplo, depois de trocar a sonda). Não avalie o comportamento do motor com o modo ativo: o avanço e o ralenti não estão a ser comandados normalmente.
Ler com o TECH 1 ou equivalente
Seção intitulada “Ler com o TECH 1 ou equivalente”Com um aparelho ligado à ficha ALDL (que lê os dados do terminal M):
- F2: TROUBLE CODE mostra os códigos memorizados;
- F0: DATA LIST mostra os parâmetros em tempo real (ver Valores típicos);
- F1: FIELD SERVICE liga o terminal B à massa e ativa os modos descritos acima;
- MISC. TESTS permite comandar saídas (aquecedor do coletor, embraiagem do A/C, luz, purga), testar e reinicializar a válvula do ar de ralenti (IDLE CONTROL, IDLE RESET), memorizar a regulação de octano (OCTANE ADJUST), apagar códigos (CLEAR CODES) e registar regime e tensão durante o arranque (CRANK TEST).
O aparelho mostra o que o ECM comanda, não o que realmente acontece. Ver “ON” no relé do aquecedor do coletor não prova que o relé fechou nem que a resistência está boa. Confirme sempre no componente.
Apagar os códigos
Seção intitulada “Apagar os códigos”Apague os códigos depois de reparar a avaria, ou quando quiser ver se uma falha volta a aparecer.
- Com o TECH 1: função CLEAR CODES. Apaga tudo sem cortar a alimentação ao ECM e sem perder a aprendizagem.
- Sem aparelho: corte a alimentação permanente do ECM durante pelo menos 10 segundos, desligando o cabo negativo da bateria.
Depois de apagar, faça uma volta de ensaio e repita a leitura para confirmar que a reparação resolveu o problema. Nos quadros do manual, o último passo é sempre: pôr o motor a trabalhar, apagar os códigos e confirmar que a luz fica apagada.
O ECM esquece os códigos?
Seção intitulada “O ECM esquece os códigos?”Se suspeitar que o ECM não guarda os códigos: desligue a ficha do sensor de posição da borboleta e deixe o motor ao ralenti até a luz acender. Deve ficar memorizado o código 22, e este deve continuar lá depois de desligar a ignição durante mais de 10 segundos. Se desaparecer (com a alimentação permanente B1/C16 em bom estado), o ECM está avariado.
Aprendizagem adaptativa do ECM
Seção intitulada “Aprendizagem adaptativa do ECM”O ECM corrige continuamente pequenas variações do motor e do sistema de alimentação (desgaste, tolerâncias de fabrico, ligeiras alterações de pressão) em duas camadas:
- Correção em malha fechada (curto prazo): reage de imediato ao sinal da sonda de oxigénio, alongando ou encurtando os impulsos do injetor. Gama normal entre −20% e +20%; os limites de calibração vão de +63% a −54%.
- Correção memorizada (longo prazo): quando a correção de curto prazo se mantém alta ou baixa durante algum tempo, o ECM passa essa correção para a memória. Gama normal entre −10% e +10%; limites de +50% a −38%. É aplicada sempre, em malha aberta e fechada, mas só é aprendida em malha fechada.
A correção memorizada está organizada em 36 células: duas tabelas de 16 células por regime e carga (pressão no coletor), uma para a purga do canister ligada e outra desligada, e mais quatro células de ralenti (A/C ligado/desligado, purga ligada/desligada). Detalhes em Valores típicos.
O que acontece ao desligar a bateria
Seção intitulada “O que acontece ao desligar a bateria”Todas as células voltam a 0%. O motor funciona, mas o ECM perdeu as correções que tinha aprendido para aquele motor, e o comportamento pode ficar diferente durante algum tempo (ralenti menos estável, pequenas hesitações).
Como reaprender
Seção intitulada “Como reaprender”- Ponha o motor a trabalhar e deixe-o atingir a temperatura normal de funcionamento.
- Conduza normalmente: aberturas parciais da borboleta, acelerações moderadas e alguns períodos ao ralenti.
- Continue até o funcionamento voltar ao normal. O ECM só aprende em malha fechada, por isso trajetos curtos com o motor frio pouco adiantam.
Se se apagaram códigos com o TECH 1, a aprendizagem mantém-se.
Ordem de trabalho recomendada
Seção intitulada “Ordem de trabalho recomendada”O manual insiste numa sequência, e com razão: a gestão do motor tem muitas entradas e saídas, e saltar passos leva a trocar peças boas.
- Inspeção visual no compartimento do motor: massas do ECM, tubos de vácuo, fichas, cabos de velas (ver Sintomas).
- Verificação do circuito de diagnóstico (Quadro A): a luz acende, pisca o código 12, há dados?
- Há códigos? Siga o quadro do código mais baixo em Códigos de avaria. Se o código for intermitente (a avaria não está presente), não use o quadro do código: vá a Avarias intermitentes.
- Sem códigos: compare os dados com os valores típicos e, se estiverem normais, passe aos quadros de sintomas.
- Depois de reparar, apague os códigos e repita a verificação do circuito de diagnóstico.
Antes de culpar a eletrónica, lembre-se de que estes problemas mecânicos imitam avarias da injeção: compressão baixa, entradas de ar na admissão, escape obstruído, distribuição desafinada por desgaste ou montagem errada, combustível de má qualidade e manutenção em atraso.
Precauções
Seção intitulada “Precauções”- Fichas: só encaixam numa posição, com saliências e ranhuras de orientação. Se for preciso forçar, está mal. Um encaixe errado pode danificar a ficha, o ECM ou outros componentes. Confirme também que os terminais da bateria estão limpos e apertados.
- Lavagem: não aponte jato de vapor ou de alta pressão aos componentes da gestão: corrói os terminais.
- Multímetro: use um digital com impedância de entrada de pelo menos 10 MΩ. Um analógico de baixa impedância falseia as leituras nos circuitos de 5 V e pode danificar o ECM.
- Lâmpada de prova: use uma de baixo consumo, nunca uma de farol. Para a validar, ligue-a à bateria com um amperímetro em série: abaixo de 0,25 A (250 mA) é segura; acima disso, não use.
- Equipamento de teste: use o indicado nos quadros (ou equivalente com as mesmas características). Outro equipamento pode dar resultados errados ou danificar componentes bons.
Leitores modernos
Seção intitulada “Leitores modernos”- A ficha ALDL e o respetivo protocolo são anteriores ao OBD-II e próprios da GM. A ficha é de 12 terminais e não tem nada a ver com a ficha trapezoidal de 16 pinos dos carros com OBD-II. Um leitor OBD-II comum, incluindo os adaptadores Bluetooth baratos, não comunica com este ECM.
- Adaptadores que apenas mudam a ficha (de ALDL para a ficha OBD-II de 16 pinos) não mudam o protocolo: continua a ser preciso equipamento ou software que fale ALDL.
- Existem cabos ALDL para porta série ou USB e programas de PC que leem os dados do terminal M. Para mostrarem valores certos precisam de uma definição de dados que corresponda ao ECM e à calibração instalados. O manual não indica a velocidade nem o formato da transmissão. Confirme a compatibilidade (a identificação da calibração aparece na Data List) antes de confiar nos valores.
- O método da ponte A–B funciona sempre e não precisa de mais nada. Para ler códigos, é o mais fiável.
- Manual de Oficina — Injeção Monoponto Niva (VAZ, 1995), p. 2-1 a 2-2 (pág. 50–51 do PDF): introdução e procedimento de diagnóstico.
- Idem, p. 2-3 (pág. 52 do PDF): precauções no diagnóstico.
- Idem, p. 2-4 a 2-7 (pág. 53–56 do PDF): luz CHECK ENGINE, ficha ALDL (figura 2.2-1), leitura e apagamento dos códigos, modos de diagnóstico, aprendizagem adaptativa.
- Idem, p. 2-8 a 2-10 (pág. 57–59 do PDF): aparelho TECH 1, testes diversos, limitações e modos de diagnóstico.
- Idem, p. 2-24 (pág. 73 do PDF): terminais A8 e A9 do ECM.
- Idem, p. 2-30 (pág. 79 do PDF): sinais de CHECK ENGINE e vista frontal da ficha ALDL.
- Idem, p. 2-54 (pág. 103 do PDF): terminal G de teste da bomba.
- Idem, p. 2-98 (pág. 147 do PDF): verificação da perda de memória dos códigos.
- Idem, p. 1-31 a 1-34 (pág. 36–39 do PDF): ajuste adaptativo, correção em malha fechada e memorizada, células.
Projeto sem fins lucrativos, feito por proprietários de Niva. Desenvolvido por SmartWave.