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Diferenças do 21214

O manual AvtoVAZ de 1999 cobre três Niva a gasolina de 1,7 L com a mesma carroçaria e a mesma transmissão. O que os separa é a forma como o motor é alimentado:

  • VAZ-21213: carburador e ignição com distribuidor.
  • VAZ-21214: injeção central (monoponto). Um único injetor numa unidade de injeção que ocupa o lugar do carburador, gestão eletrónica e catalisador.
  • VAZ-21214-20: injeção sequencial multiponto (um injetor por cilindro), com o motor 21214-10.

Esta página resume as diferenças segundo a tabela de características e o capítulo 9 do manual de 1999. Junta também as notas de oficina que só se aplicam ao 21214.

VAZ-21213 VAZ-21214 VAZ-21214-20
Modelo do motor 21213 21214 21214-10
Alimentação Carburador Injeção central, um injetor Injeção sequencial, um injetor por cilindro (rampa de injeção)
Potência (GOST 14846) 58 kW (78,9 cv) 58 kW (78,9 cv) 58,5 kW (79,6 cv)
Regime de potência máxima 5200 rpm 5400 rpm 5000 rpm
Cilindrada, diâmetro × curso, compressão 1,69 L, 82 × 80, 9,3:1 iguais iguais
Massa, velocidade máxima, aceleração 1210 kg, 137 km/h, 19 s iguais iguais
Ignição Distribuidor Módulo de ignição comandado pelo ECM, sensor de posição da cambota Módulo de ignição comandado pelo ECM
Medição do ar — Sensor MAP (pressão no coletor) e sensor de temperatura do ar Medidor de massa de ar (MAF)
Folga das válvulas Parafuso de regulação Parafuso de regulação (o capítulo não indica alteração) Apoios hidráulicos, sem regulação
Tensor da corrente Semiautomático, com mola Semiautomático (o capítulo não indica alteração) Hidráulico, alimentado pelo óleo do motor
Aquecimento da admissão (não comparado) Pré-aquecedor elétrico no coletor de admissão (fusível de 50 A) Corpo de borboleta aquecido pelo líquido de refrigeração
Catalisador e sonda lambda Não (o cap. 9 apresenta-o como novidade do 21214) Sim Sim
Ajuste à octanagem da gasolina Avanço inicial diferente para 91 e 93/95 RON (Anexo 3), acertado no distribuidor Potenciómetro de octanagem ligado ao ECM (não referido)
Ventoinha de refrigeração Mecânica, no cubo da bomba de água (fig. 2-62) (não descrito no capítulo) Duas elétricas, comandadas pelo ECM (ligam acima de 105 °C, desligam abaixo de 101 °C)
Fusíveis próprios da injeção — 1 × 50 A + 4 × 15 A 4
Lava-faróis (não referido) (não referido) Não tem
Combustível, capacidades, transmissão, suspensão, travões — iguais aos do 21213 iguais

As células «não descrito» ou «não referido» querem dizer que o manual não fala do assunto para esse modelo. Não quer dizer que a peça não exista.

Em vez do carburador há uma unidade central de injeção: um corpo de borboleta com um único injetor por cima. O injetor pulveriza a gasolina para o ar que passa na borboleta, e a mistura segue pelo coletor de admissão até aos cilindros, como num carburador. A diferença é que a quantidade de gasolina é calculada pelo ECM (unidade de controlo eletrónico) a partir dos sensores, e a sonda lambda corrige a mistura em permanência. Isso permite usar um catalisador.

Componentes do sistema (fig. 9-5 do manual):

Componente Função resumida
Bomba de gasolina elétrica (no depósito, com o sensor de nível) Alimenta a unidade de injeção sob pressão
Injetor Pulveriza a gasolina na unidade central
Regulador de pressão (na unidade de injeção) Mantém 190–210 kPa; o excesso volta ao depósito
Sonda lambda (sensor de oxigénio) Mede o oxigénio no escape para corrigir a mistura
Sensor MAP Pressão absoluta no coletor (carga do motor)
Sensor de temperatura do ar Temperatura do ar admitido
Sensor de temperatura do líquido de refrigeração Temperatura do motor
Sensor de posição da borboleta (TPS) Abertura do acelerador
Válvula de controlo do ar de ralenti (IAC) Regula o ralenti
Sensor de posição da cambota (na tampa da distribuição) Rotação e posição do motor
Sensor de velocidade do veículo Velocidade
Potenciómetro de octanagem Permite atrasar a ignição para gasolina de menor octanagem
Válvula de purga do canister Aspira para o motor os vapores do depósito retidos no carvão ativado
Módulo de ignição Gera a alta tensão para as velas, sob comando do ECM
Pré-aquecedor do coletor de admissão e respetivo relé Aquece a admissão com o motor frio
Ficha de diagnóstico Ligação do equipamento de diagnóstico (TECH 1)
Luz CHECK ENGINE (no painel) Avisa de avaria registada pelo ECM

A cablagem da injeção liga-se à do carro por uma ficha própria de três fios: entrada de baixa tensão do conta-rotações, luz CHECK ENGINE e terminal 15 do comutador de ignição.

Para além dos fusíveis do carro, o 21214 tem fusíveis próprios da injeção:

  • Fusível de 50 A, isolado: protege o pré-aquecedor do coletor de admissão.
  • Quatro fusíveis de 15 A numa caixa própria, do lado esquerdo, por baixo da consola do tablier:
Fusível Circuitos protegidos
1-2 Contactos do relé da bomba de gasolina; bomba de gasolina; injetor
3-4 Sonda lambda; sensor de velocidade; válvula do canister; bobina do relé do pré-aquecedor
5-6 ECU; módulo de ignição
7-8 Reserva

Existe ainda um elo fusível na ponta do fio vermelho ligado à bateria: um troço de fio preto de 1 mm², enquanto o fio vermelho principal tem 6 mm². Se a injeção ficar sem alimentação e os fusíveis estiverem bons, verifique a continuidade deste elo.

Depois de o motor parar, a gasolina fica sob pressão nos tubos e na unidade de injeção. Antes de abrir qualquer ligação de combustível:

  1. Ponha a caixa em ponto morto e o travão de mão puxado.
  2. Desligue a ficha da bomba de gasolina da cablagem da injeção.
  3. Ponha o motor a trabalhar e deixe-o ir abaixo sozinho.
  4. Acione o motor de arranque mais 3 segundos para equilibrar a pressão na linha.
  5. Volte a ligar a ficha da bomba.
  6. Desligue o cabo negativo da bateria.

O procedimento é o do 21213, com estes passos a mais no início:

  1. Alivie a pressão do combustível e desligue o cabo negativo da bateria (acima).
  2. Desaperte as porcas que fixam o filtro de ar à unidade de injeção e ao perno da tampa das válvulas, solte as mangueiras e retire o filtro.
  3. Desligue a ficha do injetor e tape provisoriamente a entrada de ar da unidade de injeção.
  4. Desligue as mangueiras de alimentação e de retorno de combustível dos tubos do motor e tape todas as pontas, para não entrar sujidade nem pingar gasolina.
  5. Solte o cabo do acelerador da unidade de injeção e do suporte no coletor de admissão.
  6. Na unidade de injeção, desligue as mangueiras de vácuo do canister e do sensor MAP, e a mangueira de ventilação do cárter.
  7. Desligue as fichas de todos os componentes da injeção montados no motor.
  8. Continue com o procedimento normal de remoção do motor.

Na montagem, afine o cabo do acelerador e verifique o funcionamento da injeção.

Antes da desmontagem habitual (capítulo 2):

  1. Retire o suporte com o módulo de ignição, que está no lado esquerdo da frente do motor. Depois retire o tampão com a junta e o retentor com o anel de vedação (fig. 9-1 do manual).
  2. Desligue e retire os tubos de alimentação e de retorno da unidade de injeção e do suporte na tampa das válvulas.
  3. Desaperte as porcas dos pernos e retire a unidade de injeção. Tire a junta da face do coletor.
  4. Retire o coletor de admissão com o pré-aquecedor. Se for preciso, já na bancada, separe o pré-aquecedor com a junta e o anel de vedação.
  5. Retire o sensor de posição da cambota, montado na tampa da distribuição.
  1. Alivie a pressão do combustível e desligue a bateria.
  2. Retire o filtro de ar e solte o cabo do acelerador.
  3. Retire os tubos de combustível e tape as pontas.
  4. Desligue as fichas do TPS, do injetor e da válvula de ar de ralenti.
  5. Desligue as mangueiras de vácuo (canister, sensor MAP) e a da ventilação do cárter. Tome nota de onde vai cada uma.
  6. Desaperte as porcas dos pernos e retire a unidade com a junta. Tape a entrada do coletor.

A montagem faz-se pela ordem inversa, com junta e anéis novos. No fim, verifique a pressão de combustível (190–210 kPa, ver Afinações).

Unidade central de injeção: desmontar e verificar

Seção intitulada “Unidade central de injeção: desmontar e verificar”

Pode separar o TPS, o injetor, o regulador de pressão, o corpo dos tubos de vácuo e a válvula de ar de ralenti. Depois, retirando dois parafusos, separe a parte de alimentação de combustível do corpo da borboleta.

  • Injetor: é uma peça única, não se desmonta. Ao tirá-lo, cuidado com a ficha e com a ponta pulverizadora. Não o lave com gasolina nem com produtos de limpeza. Troque os vedantes. Se os filtros do injetor tiverem depósitos (há um de diâmetro maior e um de diâmetro menor), sopre-os com ar comprimido e lave o depósito de combustível e os tubos, porque a sujidade veio de lá. Ponha vedante na rosca do parafuso de fixação.
  • Regulador de pressão: a tampa tem uma mola comprimida por baixo, por isso desaperte com cuidado. Examine a sede da válvula, com lupa se preciso: não pode ter corrosão, mossas nem irregularidades. Se tiver, troque a parte de alimentação de combustível da unidade. Recomenda-se diafragma novo sempre que se desmonta. Na montagem, confirme que o diafragma assenta direito, sem inclinação, e ponha vedante na rosca dos parafusos da tampa.
  • Junta entre a parte de alimentação e o corpo da borboleta: troque-a sempre. Os recortes da junta têm de coincidir com os furos do corpo da borboleta. Ponha vedante nos parafusos de fixação. Raspe bem a junta velha do corpo da borboleta e do corpo dos tubos de vácuo.
  • Sensor de posição da borboleta (TPS): com a borboleta totalmente fechada, monte-o rodando-o no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio até as faces planas do veio encaixarem na alavanca do sensor. Aperte os parafusos. Não o lave.
  • Válvula de ar de ralenti (IAC): ponta cónica de 10 mm de diâmetro. Troque as anilhas de vedação e substitua-a só por uma do mesmo modelo. Antes de montar, a distância da flange à ponta da válvula tem de ser inferior a 23 mm. Uma válvula nova pode ser empurrada à mão. Uma usada não: recolha-a com o equipamento de diagnóstico. Depois de montar, peça ao ECM, pelo equipamento de diagnóstico, que reponha os parâmetros da válvula. Não a lave.
  • Batente da borboleta: vem regulado de fábrica. Não lhe mexa.

Está dentro do depósito. Para a tirar: alivie a pressão, desligue a ficha, solte os tubos e desaperte as porcas que a fixam ao depósito. Não se repara: se avariar, troca-se completa. Há um filtro de rede na aspiração, que se troca quando a pressão ou o caudal de retorno são insuficientes.

Com a ignição ligada e o motor parado, a bomba trabalha cerca de 2 segundos e desliga-se, porque o ECM não recebe sinal da cambota. Ouve-se a bomba e o relé dentro do habitáculo. Para a fazer trabalhar de novo, desligue a ignição 10 segundos e volte a ligar.

Examine as mangueiras e o recipiente de carvão (canister). Se o recipiente estiver rachado, danificado ou com fugas, troque-o. Se houver fuga numa ligação, aperte-a.

O 21214 tem catalisador no escape, e por isso precisa de gasolina sem chumbo (ver Fluidos e capacidades). Falhas de ignição prolongadas ou mistura muito rica sobreaquecem-no e podem destruí-lo. Não deixe o carro a trabalhar com uma vela sem faísca.

  • Manual de Reparação — Veículos VAZ-21213, VAZ-21214, VAZ-21214-20, VAZ-21215 (AvtoVAZ, projeto de out. 1999, tradução PT):
    • «Sobre este manual» e tabela 1-1, pp. 3–6 (PDF pp. 3–6).
    • Capítulo 9, «Veículo VAZ-21214», pp. 185–189 impressas (PDF pp. 187–191), incluindo a fig. 9-5 e a tabela 9-1.
    • Capítulo 9, «Veículo VAZ-21214-20», pp. 190–196 impressas (PDF pp. 192–198).
    • Tensor semiautomático do 21213, pp. 32–33 (PDF pp. 32–33); bomba de água com ventoinha, fig. 2-62, p. 36 (PDF p. 36).
    • Anexo 3 (avanço inicial por octanagem), p. 218 impressa (PDF p. 220).
  • Manual de Oficina — Injeção Monoponto Niva (VAZ, 1995, tradução PT): catalisador, p. 1-2 (PDF p. 7); regulação do índice de octano, p. 1-19 (PDF p. 24); precauções e descargas eletrostáticas, pp. 3-1 a 3-2 (PDF pp. 197–198).

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